Prêmio Abril de Jornalismo

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Curiosidades

Um Prêmio para a Abril: 10 ANOS DE PRÊMIO ABRIL

Por Thomaz Souto Corrêa

A minha idéia era muito simples, talvez porque o problema fosse muito delicado: “precisamos premiar trabalhos que nunca são lembrados por prêmios algum”, disse eu ao Roberto Civita, numa tarde de outubro de 1975. Trabalhos do tipo reportagem de moda, materiais de culinária, testes com automóveis, produções de estúdio, paginações de aberturas, de grandes ensaios, a boa escolha de tipos, a valorização da ilustração – enfim, toda uma variedade de trabalhos que são o dia-a-dia das nossas revistas, e que nunca encontram espaço na consideração dos júris de imprensa (naquela época existia basicamente o Esso, porque nem mesmo o do Clube de Criação existia).

O Roberto recebeu bem a proposta, ponderou que talvez fosse a oportunidade para incluir também os trabalhos jornalísticos do tipo dos que concorriam ao Esso, porque isso aumentaria ainda mais a representatividade da produção da Editora, com o que eu – claro – imediatamente concordei. Sr. Victor abençoou logo a idéia e assim, de uma idéia simples minha, e de um acréscimo ambicioso do Roberto, nasceu o Prêmio Abril de Jornalismo, com o mesmo objetivo válido ainda hoje, de incentivar a criatividade dentro das redações e premiar a qualidade dos trabalhos publicados pelas revistas da Editora Abril no período de doze meses.

Formamos o primeiro júri com Roberto e eu, praticamente inevitáveis, porque autores da idéia, mais Mauro Ivan, então diretor das revistas masculinas, Alberto Dines, então crítico de imprensa militante, e minha querida, respeitada, competente e saudosa amiga Bea Feitler, que tinha feito um programa de consultoria em algumas de nossas revistas, com muito sucesso, e que tinha mostrado critérios muito objetivos no exame de algo tão subjetivo quanto artes gráficas.

Anunciamos onze categorias de jornalismo, mas durante os trabalhos vimos que elas era insuficientes, e mais seis foram criadas. Acrescidas às dez de artes gráficas, e seis de fotografia, o I Prêmio Abril de Jornalismo tinha 33 categorias. O tempo mudou muito a composição das categorias (jornalismo, por exemplo, se dividiu em atualidades e serviços), mas o número delas permaneceu praticamente o mesmo: as 33 viraram 36, hoje.

As pompas e as circunstâncias

Na nossa cabeça, a solenidade exigia uma certa pompa, compatível com as nossas expectativas para a importância do prêmio.

Escolhemos o Centro de Convenções do Anhembi para a entrega do I Prêmio Abril de Jornalismo, e a mesa – sim, compusemos uma mesa – tinha não só a diretoria de então, mas também a presença do presidente da ABI, jornalista Prudente de Moraes Neto, o presidente do Sindicato dos Jornalista do Estado de São Paulo, Audalio Dantas, outras autoridades, representantes de outras autoridades, minhas senhoras e meus senhores.

Sinceramente, a cerimônia foi longa, chata, formal, solene – o contrário do que exigia a informalidade, a alegria e a criatividade do nosso pessoal. É bem verdade que nós queríamos um pouco de solenidade – mas foi um exagero. Tanto que, no ano seguinte, a solução foi fazer tudo igual, mas com o Caloca (Carlos Alberto Fernandes, para os íntimos que, como todo mundo sabe, conhece a letra de todos os filmes musicais americanos de cor), escolhendo uma trilha sonora que combinasse com cada revistas chamada para receber o prêmio, e pronto. Pronto-quase-socorro: na quinta vez que tocou “Pompa & Circunstância” para VEJA receber um prêmio, a platéia ria, mas de nervoso. Para não falar em Diretores(as) de Redação que não concordaram absolutamente com a música escolhida para representá-los...

E foi assim que mudamos do Palácio das Convenções para um Centro de Convenções, muito menos formal, e do Parque Anhembi para o Hotel Hilton, no mínimo muito mais descontraído. E foi assim que contratamos o Chico Anisio, para ver se alguém ria de alguma coisa que não fosse a cerimônia em si. Riram. Mas às custas de tanta grossura, que no ano seguinte ficamos só com o local e dispensamos o humorista. O humor ficou por conta do primeiro audiovisual de uma série a não funcionar, o que faz do Prêmio Abril o único evento do mundo onde o audiovisual nunca funcionou. Mentira: funcionou perfeitamente no ano passado. Mas, para evitar que a graça fosse sempre rir dos mesmos erros, recorremos mais uma vez ao humorismo, e convidamos o Jô Soares que, pelo menos, tinha uma certa intimidade com a Abril. Intimidade, aliás, que só serviu para ele chamar o Sr. Victor de “tio Vitor”, e a mim de “Bola”; eu, “Bola”, ele o que? Enfim, ele não tinha mesmo obrigação de conhecer todo mundo, fora Sr. Victor, o Roberto, e eu – claro.

Foi aí que no ano seguinte decidimos botar um pouco de suspense na cerimônia, mostrar os quatro concorrentes e só anunciar o vencedor de cada categoria (tem uma outra festa, nos Estados Unidos, que usa esse mesmo esquema – e parece que funciona).

E daí, depois de uma cerimônia esquecível no Clube Monte Líbano, achamos nossa morada mais digna e mais coerente com os propósitos do Prêmio Abril, o Auditório do Museu de Arte de São Paulo, e a digna hospitalidade do professor Pietro Maria Bardi, membro permanente do nosso Júri de Artes Gráficas.

De qualquer maneira, entre pompa e circunstâncias, sobreviveram a todos esses percalços dois personagens, o segundo trazido pelo primeiro, hoje bastante identificados com o Prêmio Abril: Waldimas Galvão, nos bastidores, Ruy Barboza no palco. Waldimas, tentando coordenar todos os detalhes de todas as etapas do Prêmio (até ver se funciona o famoso audiovisual), se valeu da intimidade do Ruy – ele, sim – com o nosso pessoal para, de um lado usar esse conhecimento suprir de eventuais falhas técnicas, desculpem as nossas, e de outro conduzir a cerimônia com sua conhecida maestria.

O júri, esses conhecidos

A grande responsabilidade de nomear o Júri do Prêmio Abril é escolher pessoas que os julgados respeitem pelo que sabem, e não pelo que dizem que sabem. É sempre uma briga, literalmente. Mas brigando a gente se entende que prevalece sempre o interesse dos profissionais da Editora, e que é preciso gente que a gente se sinta confortável quando julgado: premiado ou preterido.

Acho que conseguimos: além dos já citados Alberto Dines, Mauro Ivan e Bea Feitler, já julgaram nossa produção jornalística, entre outros, personalidades como Pompeu de Souza, Rubens Vaz da Costa, Wesley Duke Lee, Jan White, Alexandre Wollner, Carmen da Silva, Otto Stupakoff, Roberto de Abreu Sodré, Heitor Gurgulino de Souza, Max Feffer, Fernando Pedreira, Francisco Petit, Aloisio Magalhães, Attilio Baschera, Barbosa Lima Sobrinho, Jaime Lerner, José Mindlin, Otto Lara Resende, Antonio Ermirio de Moraes, Audalio Dantas, Julio Ribeiro, Mario Henrique Simonsen, Milton Coelho da Graça, Pietro Maria Bardi, Joelmir Betting, José Goldemberg, José Jugo Celidônio, Miguel Colassuono, Olavo Setubal, Tonia Carrero, Walter Clark, Adib Jatene, André Midani, Glória Kalil, José Carlos de Azevedo, José Marques de Mello, Lina Bo Bardi, Rogério Cerqueira Leite, Washington Oliveto, Sérgio Machado Graciotti. Sem falar na presença constante do Waldir Igayara, única pessoa capaz de julgar as nossas histórias em quadrinhos com isenção apesar da supervisão, e do Flávio Barros Pinto, enquanto esteve conosco na Editora, e sem falar no Roberto Civita e neste que vos escreve.

É realmente uma lista impressionante, representativa das melhores cabeças nos mais diferentes setores de atividade cobertos pelas nossas revistas. Essas pessoas, uma vez por ano, examinam dezenas de matérias e declaram todas, unânimes, que não as impressiona somente a qualidade dos trabalhos premiados, mas a qualidade geral dos trabalhos lidos. E as impressiona também, quando assistem a entrega dos Prêmios, a enorme variedade de temas e assuntos cobertos pelas nossas revistas, numa abrangência das mais profícuas que existem na imprensa. E esta imagem consolidada de empresa que se comunica com tantos públicos diferentes, a respeito de tantos assuntos diferentes, foi a razão principal de estarmos comemorando os dez anos do Prêmio Abril de Jornalismo, não com um catálogo, mas com uma revista catálogo, muito mais ao nosso próprio feitio: que veículo melhor do que uma revista para mostrar a riqueza da nossa produção editorial e jornalística.

Os especiais, prêmios e premiados

Nem sempre o júri conseguiu lidar com uma variedade tão grande de inscrições, sem recorrer a Prêmios Especiais, que destacassem trabalhos que não se enquadravam em nenhuma categoria, mas que não poderiam passar sem registro. Receberam Prêmios Especiais os lançamentos das revistas HOMEM (que depois virou PLAYBOY) e CARÍCIA. E não houve como não considerar “Hors Concours” a edição inteira que VEJA dedicou à morte de Juscelino Kubitschek, nem o conjunto de matérias que Luis Claudio Cunha e J. B. Scalco produziram sobre o seqüestro de Lilian Celiberti e Universindo Diaz, em 78.

“Hors-concours” foram também considerados Ziraldo e José Antonio, que automaticamente se tornaram membros do Júri, onde sua experiência profissional tem sem dúvida contribuído para uma análise mais cuidada dos trabalhos inscritos.

Como o objetivo do Prêmio Abril é de uma preocupação não só com a premiação dos melhores trabalhos produzidos na Editora, mas também com uma constante busca de aperfeiçoamento profissional, ficou decidido desde o início que, entre os premiados, um de cada categoria (jornalismo, serviços, artes gráficas e fotografia) receberia um prêmio extra de viagem, se possível aliada a um estágio em área de interesse do premiado. Até hoje, 21 profissionais da Editora ganharam essa viagem e, embora impossível de medir, não há como negar o benefício de um estágio profissional ou mesmo de uma viagem turística para abrir a cabeça e dar um ânimo no trabalho.

Nada disso porém tem a importância do Prêmio em si: 1.433 colegas nossos foram premiados até hoje. Eles são de todas as redações e de todas as revistas da Editora Abril. A arvorezinha que virou o símbolo do Prêmio está em redações, em casas – depende de onde a pessoa queira mais exibir a estatueta. Não parece haver disputa, mas participação. Na festa que se segue à entrega, divertem-se os premiados, destacados, e não premiados e nem mesmo destacados. Eu diria que o Prêmio nos une mais: quanto mais unidos, no mínimo maior será a nossa troca de experiências, melhores serão as nossas revistas, mais realizados serão os nossos profissionais. Não consigo pensar em resultado mais desejável para um prêmio que começou querendo ser exatamente isso: um estímulo às nossas qualidades profissionais. E aos nossos anseios pessoais.

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